Até que idade nós, mulheres, sofremos pressão estética?

Minha mãe contou que a minha avó de 90 anos tem dificuldade em ficar nua em frente às filhas porque o “corpo tá feio”. Minha mãe foi maravilhosa — como sempre — e disse que não observa bonito ou feio, afinal, é o corpo da mãe dela e é um verdadeiro templo, a origem da vida dela.

Faz horas que estou pensando nessa situação.

E são vários pontos. O primeiro é: em que momento a idade “anula” nossa identidade de gênero, em que passamos a ver a pessoa como velhinho, e não como um homem ou uma mulher adultos?

Em que idade fazemos a transição de mulher adulta para ser humano idoso sem conexão com a mulher que ela é? Passa a ser apenas a avó, a mãe, a dona de casa. Zero mulher.

Outro ponto é: até que idade sofremos com a pressão estética? Aparentemente, até 110 anos.

Doeu perceber que a minha matriarca sente a mesma pressão que eu em ter um corpo bonitão, ainda que um corpo idoso bonitão. Sofia Loren tá aí jogando pro mundo a boniteza dela. (e está certa, joga mais boniteza. Mas ela é um ponto fora da curva, ne?)

Em que momento não percebemos que nosso corpo nos acompanhou a vida toda, sofreu com a gente, cresceu, passou perrengue, viajou, estudou, trabalhou, andou por aí, dançou, deitou no sol, relaxou e exigimos que ele tenha o mesmo colágeno de 30 anos atrás?

Quantas vezes ao dia, mulheres do mundo todo, se olham no espelho e se odeiam? Em 2019, uma fundação australiana mostrou que 38% das meninas de 4 anos JÁ TEM QUESTÕES COM IMAGEM CORPORAL.

Crescemos achando que nossos corpos não cabem nos lugares que ocupamos. E nem tudo tem a ver com o tamanho. Tem a ver também com textura, aparência, dobras, falta de dobras, cabelo, cor…

E não é uma questão simplinha de olhar no espelho e querer mudar uma coisa ou outra. Tatu do bem querer mudar um pouquinho algo. O problema mesmo é deixar de fazer as coisas por conta do seu corpo ‘não estar pronto para ser visto’. Em qualquer idade. E pra qualquer situação.

Tatu do bem querer mudar. Mas não ta tudo bem colocar a vida no modo de espera pra alcançar o inalcançável.

Bora ressignificar esse corpo-parceiro que te leva pra cima e pra baixo e não esperar pelo corpo perfeito?

Este texto foi originalmente publicado no Medium.

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