Como anda a sua coragem?

Coragem, já faz tempo que eu quero falar sobre isso.

Mas nunca sabia como começar.

Desde que eu li A Coragem para Liderar, da Brené Brown, e depois vi os TEDs dela, esse assunto vai e volta da minha cabeça.

Primeiro porque eu nunca tinha pensado de fato sobre o que é ter coragem. Eu achava que era corajoso quem escalava montanhas, se desapega de tudo e vai morar do outro lado do mundo, faz vários esportes radicais. E eu não me considerava corajosa por isso.

Quando criança, fui um belo exemplo de neta de vó criada em apartamento: poucos ralados, nunca cai de bicicleta na rua porque eu não aprendi a andar de bicicleta, não dava estrelinha, nem virava de ponta cabeça e mal pulava corda.

Mas, já na adolescência, passei a ouvir que eu era corajosa.

Corajosa porque aos 14 anos fui estudar na cidade vizinha. Corajosa porque aos 17 anos fui fazer uma faculdade, desisti e voltei pra casa dos meus pais. Corajosa porque aos 18 anos eu sai de novo pra fazer a faculdade que eu iria me formar.

E ainda que percebesse que sair do lugar que estamos requeria doses de coragem, eu ainda não tinha sacado o que essa palavrinha significava.

Foi só quando eu conheci a Brené que essa chavinha virou e fez sentido pra mim.

Que coragem é nos despirmos de tudo aquilo que a gente tem certeza como funciona, a famosa zona de conforto (que eu prefiro chamar de zona de estagnação, como o Murilo Gun diz) e buscar o desconhecido. É perceber que ao ficarmos completamente vulneráveis que podemos experimentar, conhecer. Poder ser que dê tudo incrivelmente certo. Poder ser que dê tudo terrivelmente errado. Pode ser que seja só uma experiência interessante.

Foi quando eu entendi que a vulnerabilidade anda de mão dada com a coragem. Sem nos sentirmos vulneráveis às situações, não tem crescimento nem aprendizado, nem se jogar no mundo, entende?

E cuidado, vulnerabilidade é diferente do medo e a linha entre eles, pra mim, é muito tênue. O medo que nos avisa que algo pode dar errado é um sinal de alerta necessário e parte da nossa evolução, ele que nos ajuda a ficar vivos num mundo cheio de predadores. Mas ele não pode nos paralisar.

Eu continuo ouvindo das pessoas que eu sou corajosa. Especialmente nos últimos meses, afinal, eu sai de um emprego muito bacana com uma boa remuneração em busca do desconhecido. Me deparei com uma pandemia e um isolamento social que não acabam nunca.

Mas é ao me tornar vulnerável às intempéries da vida que eu me permito crescer como gente, profissional, mulher.

Hoje é a primeira segunda-feira de agosto de 2020. Se esse ano já tem sido uma loucura, o mês mais longo do ano não deve ser diferente. Então, que possamos ser corajosos e abraçar nossas vulnerabilidades. Quem sabe você não encontra o que você procura? 😉

Ah! E lembra aquela menina que não fazia nada? Agora ela vira de ponta cabeça, pula muita corda e tá até aprendendo a anda de bike.

este texto foi originalmente publicado no Medium.

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