O final do ciclo dos ciclos

Se é o no caos da minha mente que eu floresço em ideias, o vulcão de sentimentos também faz a mente entrar em erupção de palavras que brotam pro papel.
Dessa vez, o gatilho pra essa reação não é uma reação a uma situação cotidiana ou uma noia minha ou mesmo uma ironia. Este não é um texto feliz.

Na noite passada, perdemos um grande amigo. De maneira totalmente inesperada, nosso gigante amigo partiu pro outro lado.
Desde as 21:14 de ontem eu me pego pensando: “será que é verdade?”.

É verdade. É uma dura verdade.
O coração aperta e a sensação é de gritar num canyon e só ouvir o eco da sua voz.
Fica a permanência da ausência.

A morte é uma transição e também um estado.
Num primeiro momento é o baque surdo. É o soco no estômago que você não espera.
Os instantes seguintes são aqueles em que questionamos a vida, a verdade, a dureza dos dias.
A percepção da dor vai sendo mesclada com as duras decisões burocráticas.

Depois de algumas horas é como se contássemos os segundos até encontrar o conforto que dizem que vamos sentir. Como se o tempo fosse palpável, me sinto empurrando segundo por segundo pra alcançar um lugar sem dor.

Na cabeça, misturam-se as boas memórias, a lembrança da sua voz com a certeza que não dividiremos mais a mesa do bar nesse plano.

A morte não faz sentido nenhum pros vivos. Eu já nem quero entender. Eu, que amo falar dos ciclos que eu escolho terminar, sempre preferi não pensar neste grande ciclo terreno que vivemos.

Na noite de quinta eu conversei com uma amiga que também havia perdido um amigo querido.
Contei todas as minhas estratégias, histórias e pensamentos. 24 horas depois e era eu mesma me consolando com o mesmo roteiro.

A verdade é que não se consola. Se aprende a viver com a ausência, com a falta, com as palavras, com o apoio.
Ficam a saudade e as boas memórias.

Descanse em paz, gigante tio Mulilo!

Sem glamour, esse texto foi escrito na manhã seguinte à sua partida. Sem revisão, sem arte, sem preocupação, apenas o despejo das palavras no bloco de notas.

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