Sobre filtros, padrões e vulnerabilidade

Dia desses, zapeando pelo universo instagrammer, vi uma consultora de estilo falando sobre filtros que modificam tanto o nosso rosto que deixam a gente irreconhecível. Fiquei com aquilo na cabeça por um tempo. Eu amo filtros. Seja de estilo de imagem, seja para colocar make, seja pra fazer uma graça com um fundo divertido. Filtros são legais, fato. Mas achei interessante pontuar essa nossa necessidade permanente de mudar algo em nós.

Pior, tem filtro que muda tanto que faz com que todo mundo fique com a mesma cara: sobrancelha arqueada, lábio carnudo, rosto afinado. Imitando muito bem os procedimentos estéticos que estão na moda. E tem um total de zero problemas você querer fazer procedimentos estéticos, seja no rosto ou no corpo. Cada um sabe de si. Porém, você já pensou qual é a sua motivação para querer fazer essa modificação? É por que algo realmente te incomoda ou por que todo mundo está ficando com o rosto parecido e você também quer ficar? Fica aí o questionamento. rs

Enfim, voltando ao meu pensamento inicial sobre os filtros, fiquei me perguntando: por que diabos não postamos a nossa cara nua e crua na rede social? Eu uso maquiagem quase diariamente e toda vez que vou falar nos stories, tem um filtro. Toda foto é tratada, embelezada, mexo em tudo aquilo que me incomoda: rosto quadrado demais, nariz não muito fino, olheiras…

Fiz um teste e postei uma foto sem make nenhuma. Sem produção nenhuma. Virei na posição retrato e tirei a foto. Postei. E aí teve gente que me disse: que corajosa. Eu não tenho coragem de fazer isso.

Lá naquele outro universo, no Twitter, já vi gente questionar fala assim com o argumento de que: poxa, que tipo de monstro eu sou para que eu tenha coragem de me mostrar como eu sou.

Eu prefiro uma abordagem mais amorosa: certamente, a pessoa que comentou isso comigo gostaria muito de não se prender aos filtros da vida e se mostrar como ela é. Mas ela ainda não consegue, se limita por aquilo que a sociedade pontuou como defeito.

Eu sou uma anja desconstruída que não ligo pros padrões da sociedade? Não. Eu sofro toda a pressão que o mundo joga na gente também. Mas, com todo meu talento questionador, eu tento não me limitar e esconder aquilo que urge em brotar na superfície. Além disso, mais exposta do que eu fico ao postar meus textos neste lindo espaço, acho difícil.

Sei lá se é viagem minha ou faz sentido, mas tirar todas essas máscaras e cobertas mostra toda a nossa vulnerabilidade, tudo aquilo que nos esforçamos em esconder para parecermos super pessoas. O que precisamos lembrar que, na verdade, o que nos torna humanos é exatamente a vulnerabilidade e que só conseguimos ser corajosos quando aceitamos esse estado e nos jogamos.

Sobre vulnerabilidade, aprendi muito com esse TED da Brene Brown.

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