As ressacas da vida adulta

Se você, jovem adulto incauto, que chegou neste post e está achando que eu vou falar sobre as ressacas alcoólicas de cada tipo de bebida. Errr-rou! (com sonoplastia do Faustão, por gentileza). 

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Mesmo porque minhas ressacas hoje parecem que tenho dengue, demora 3 dias para passar e eu zero recomendo essa experiência. Aproveitem os 20 e poucos anos porque os 20 e muitos a gente tem que escolher melhor o que bebe, quando bebe e quanto bebe porque já não dá mais pra sofrer assim não, meu povo. 

Mas, first things first, o que é jovem adulto? 

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Eu, no auge dos meus 29 anos, de acordo com o Google, sou uma jovem adulta. E jovens adultos vão até aos 40 aninhos. Mas a bem da verdade, jovem adulto é quando a gente é aquele recém formado, começa a trabalhar, pagar as próprias contas e se sente muito do livre e independente, dá licença. 

Depois de uns 3,4 anos disso, a gente já percebe que tem várias chatices na vida adulta: boletos, burocracia, decisões chatinhas (que não necessariamente são difíceis, sabe? Só são chatinhas), planejamento financeiro, previdência privada…

E a vida segue, porque né, não tem jeito. Se chorar, vai ter que pagar os boletos chorando mesmo. E tatu do bem. 

Enfim, devaneio da vida adulta esclarecido, vamos falar sobre o que é essa ressaca da vida adulta? 

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Pra mim, essa é a sensação depois de um dia em que a vida adulta bateu forte. E bateu com aqueles problemas que você resolve e pensa que: caramba, sou eu a adulta da situação, bora resolver. 

É claro que a protagonista deste blog viveu algo pra contar né? Carro parou no meio da rua. Nada ligava. Desci do carro, peguei o triângulo, botei no meio da rua e voltei pro carro pra chamar o guincho.

Normal, isso já aconteceu comigo. E de jeitos piores, tipo, no meio de uma rua nos Jardins em São Paulo, indo pra uma reunião – que eu perdi, e fiquei 1 hora no meio da rua esperando o guincho. Enfim, já passei por isso. 

Mas depois disso, quando o carro já estava no local indicado, rolaram aquelas dúvidas: será que troco? Financio? Faço consórcio? Largo mão e só ando a pé? E fui dormir pensando nisso. A sensação quando eu acordei foi: caramba, que ressaca da noite anterior. Dessa overdose de adultice. 

E refletindo aqui, caramba, o tanto que isso acontece e a gente nem percebe. Tem dias que a vida bate com força e você só passa pela situação, decide, resolve, é, literalmente, o adulto da situação. E no dia seguinte bate aquela leseira, dificuldade de retomar a vida sabe? 

Enfim, essa é a minha ressaca adultinha. E não tem muito o que fazer. A vida acontece.

A gente só precisa pensar. O que me ajuda agora é pensar: o quanto esse fato vai afetar minha vida daqui 6 meses?

Se a resposta for: muito! Eu saco que vale a pena o desgaste pra pensar nas melhores opções pro momento.

Mas se a resposta for: você não vai nem lembrar disso! Eu respiro fundo e toco o barco. Aceita que dói menos e espera a próxima rasteira da vida. 

E assim seguimos. 

A tal da síndrome da impostora

Faz tempo que ensaio esse texto.
E ele flui bem no meio de uma crise pessoal após um erro profissional.

Eu tinha até iniciado um texto já. Mas ele ainda não refletia tudo que se passava aqui dentro sobre isso.

Mas vamos do início:

Síndrome da Impostora é é um fenômeno pelo qual pessoas capacitadas sofrem de uma inferioridade ilusória, achando que não são tão capacitados assim e subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles.

E eu sempre refleti sobre como essa sensação se manifestava ao assumir novos papéis, novas funções…
Mas nunca tinha refletido sobre como a síndrome se manifesta quando eu falho.
Porque é isso, seres humanos falham.

E eu sempre acreditei que ao longo da minha vida, aprendi a assumir minhas falhas e buscar um meio de corrigi-las. Mas o que eu nunca percebi é: como eu me cobro pelos meus erros e como eu exijo de mim nada menos que a perfeição. E como eu sou dura comigo pra corrigir meus erros.

Se fosse na posição contrária e eu percebesse um erro de alguém da minha equipe, eu falaria da grandiosidade do erro mas eu sei que acolheria a pessoa, conversaria e buscaria encontrar a solução.
Mas quando é comigo, a doçura sai e entra a sargentona brava que briga comigo mesma.
Começo a questionar tudo.

É bem louca a sensação.
Haja autorreflexão, terapia e paciência para superar esses abismos da mente. Daqui uma semana, um mês, isso vai significar o que? Provavelmente bem pouco.
Então de que vale questionar toda uma trajetória por 5 minutos?
Nada.

Cabe a mim aceitar e acolher a serumaninha que eu sou. Com as dores, fraquezas, amores e qualidades que todo mundo tem e me olhar com a mesma gentileza com a qual olho quem eu amo.

Exercício diário esse. Hoje, falhei. Mas amanhã é um novo dia.

Criamos um monstro?

Domingo assistimos O dilema das Redes. Desde então, qualquer momento é momento para relembrarmos algum detalhe do documentário e ficarmos obcecados discutindo sobre cada detalhe.

Pra quem não viu, O Dilema das Redes é sobre:

O Dilema das Redes nos mostra como os magos da tecnologia possuem o controle sobre a maneira em que pensamos, agimos e vivemos. Frequentadores do Vale do Silício revelam como as plataformas de mídias sociais estão reprogramando a sociedade e sua forma de enxergar a vida.

Os frequentadores do Vale do Silício que aparecem no filme são grandes nomes: VP da Uber, Facebook, Google e explicam como funciona a inteligência artificial por trás das redes sociais.

De fato, se tem algo que assusta, é como essa inteligência se desenvolve de acordo com o uso e com o TANTO que dá pra saber sobre nós: nossas pesquisas nos buscadores, tempo que demoramos vendo um vídeo, uma foto, busca por hashtags, preferências de música e filmes, escolhas alimentares… hoje a rede social sabe mais de nós do que nossas próprias mães.

Além do dano individual, o dano causado à sociedade é absurdo. A inteligência artificial não diferencia o que é bom ou mau, verdadeiro ou falso, ela privilegia aquilo com MUITA interação. No próprio filme, um dos engenheiros de software diz que uma notícia falsa viraliza 6x mais rápido do que uma notícia verdadeira no Twitter.
O efeito disso na sociedade democrática é imenso!

E qual a nossa ferramenta pra falar disso? A própria rede social!
Olha que louco!

Mas, olhando sem alarmismo, vamos falar a real:
A rede social é um super benefício pra sociedade: aproxima, cria vínculos, reinventa processos, traz a informação pra quem não teria um acesso fácil.
E como essa tecnologia se desenvolve rápido!

E como tudo que cresce absurdamente rápido, traz um ônus.
E agora? Como que lida?

Serião, ainda não sei bem.
Sair da rede social não é uma opção. Primeiro porque eu vivo disso aqui profissionalmente. Segundo porque é por meio desse universo que tenho acesso a tanta coisa!
Além disso, sair do Instagram ou do Facebook não vai te “salvar” dos algoritmos do mal.
Você ainda vai continuar vendo portais de notícias, usando buscadores online, acessando e-mail e fazendo compras online. Ou seja, dados sobre você, seus hábitos de consumo e gostos estarão registrados com louvor.

É o famoso: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

E agora?

Repito, não sei. Risos

Mas acho que sabermos a grandiosidade disso tudo faz toda diferença. A ignorância não é mais uma opção.

Cientes disso tudo, precisamos ser vigilantes, com tudo aquilo que usamos nas redes sociais e pra quem oferecemos nossos dados; atentos com as legislações e regras que possam vir a surgir. E esperançosos que possamos transformar essa realidade insana em uma realidade do bem, que priorize o bem estar e sociedade vivendo de maneira democrática e harmônica. Ou seja:

Deus nos acuda!

Sobre filtros, padrões e vulnerabilidade

Dia desses, zapeando pelo universo instagrammer, vi uma consultora de estilo falando sobre filtros que modificam tanto o nosso rosto que deixam a gente irreconhecível. Fiquei com aquilo na cabeça por um tempo. Eu amo filtros. Seja de estilo de imagem, seja para colocar make, seja pra fazer uma graça com um fundo divertido. Filtros são legais, fato. Mas achei interessante pontuar essa nossa necessidade permanente de mudar algo em nós.

Pior, tem filtro que muda tanto que faz com que todo mundo fique com a mesma cara: sobrancelha arqueada, lábio carnudo, rosto afinado. Imitando muito bem os procedimentos estéticos que estão na moda. E tem um total de zero problemas você querer fazer procedimentos estéticos, seja no rosto ou no corpo. Cada um sabe de si. Porém, você já pensou qual é a sua motivação para querer fazer essa modificação? É por que algo realmente te incomoda ou por que todo mundo está ficando com o rosto parecido e você também quer ficar? Fica aí o questionamento. rs

Enfim, voltando ao meu pensamento inicial sobre os filtros, fiquei me perguntando: por que diabos não postamos a nossa cara nua e crua na rede social? Eu uso maquiagem quase diariamente e toda vez que vou falar nos stories, tem um filtro. Toda foto é tratada, embelezada, mexo em tudo aquilo que me incomoda: rosto quadrado demais, nariz não muito fino, olheiras…

Fiz um teste e postei uma foto sem make nenhuma. Sem produção nenhuma. Virei na posição retrato e tirei a foto. Postei. E aí teve gente que me disse: que corajosa. Eu não tenho coragem de fazer isso.

Lá naquele outro universo, no Twitter, já vi gente questionar fala assim com o argumento de que: poxa, que tipo de monstro eu sou para que eu tenha coragem de me mostrar como eu sou.

Eu prefiro uma abordagem mais amorosa: certamente, a pessoa que comentou isso comigo gostaria muito de não se prender aos filtros da vida e se mostrar como ela é. Mas ela ainda não consegue, se limita por aquilo que a sociedade pontuou como defeito.

Eu sou uma anja desconstruída que não ligo pros padrões da sociedade? Não. Eu sofro toda a pressão que o mundo joga na gente também. Mas, com todo meu talento questionador, eu tento não me limitar e esconder aquilo que urge em brotar na superfície. Além disso, mais exposta do que eu fico ao postar meus textos neste lindo espaço, acho difícil.

Sei lá se é viagem minha ou faz sentido, mas tirar todas essas máscaras e cobertas mostra toda a nossa vulnerabilidade, tudo aquilo que nos esforçamos em esconder para parecermos super pessoas. O que precisamos lembrar que, na verdade, o que nos torna humanos é exatamente a vulnerabilidade e que só conseguimos ser corajosos quando aceitamos esse estado e nos jogamos.

Sobre vulnerabilidade, aprendi muito com esse TED da Brene Brown.

O final do ciclo dos ciclos

Se é o no caos da minha mente que eu floresço em ideias, o vulcão de sentimentos também faz a mente entrar em erupção de palavras que brotam pro papel.
Dessa vez, o gatilho pra essa reação não é uma reação a uma situação cotidiana ou uma noia minha ou mesmo uma ironia. Este não é um texto feliz.

Na noite passada, perdemos um grande amigo. De maneira totalmente inesperada, nosso gigante amigo partiu pro outro lado.
Desde as 21:14 de ontem eu me pego pensando: “será que é verdade?”.

É verdade. É uma dura verdade.
O coração aperta e a sensação é de gritar num canyon e só ouvir o eco da sua voz.
Fica a permanência da ausência.

A morte é uma transição e também um estado.
Num primeiro momento é o baque surdo. É o soco no estômago que você não espera.
Os instantes seguintes são aqueles em que questionamos a vida, a verdade, a dureza dos dias.
A percepção da dor vai sendo mesclada com as duras decisões burocráticas.

Depois de algumas horas é como se contássemos os segundos até encontrar o conforto que dizem que vamos sentir. Como se o tempo fosse palpável, me sinto empurrando segundo por segundo pra alcançar um lugar sem dor.

Na cabeça, misturam-se as boas memórias, a lembrança da sua voz com a certeza que não dividiremos mais a mesa do bar nesse plano.

A morte não faz sentido nenhum pros vivos. Eu já nem quero entender. Eu, que amo falar dos ciclos que eu escolho terminar, sempre preferi não pensar neste grande ciclo terreno que vivemos.

Na noite de quinta eu conversei com uma amiga que também havia perdido um amigo querido.
Contei todas as minhas estratégias, histórias e pensamentos. 24 horas depois e era eu mesma me consolando com o mesmo roteiro.

A verdade é que não se consola. Se aprende a viver com a ausência, com a falta, com as palavras, com o apoio.
Ficam a saudade e as boas memórias.

Descanse em paz, gigante tio Mulilo!

Sem glamour, esse texto foi escrito na manhã seguinte à sua partida. Sem revisão, sem arte, sem preocupação, apenas o despejo das palavras no bloco de notas.

Cadê a inspiração que estava aqui?

Tem dia que parece que nem por reza, promessa ou torcida a inspiração aparece.

Já pensou como acontece a inspiração?

Para mim, vem de tudo. E vem de nada.
Tem dia que eu sento e em questão de minutos tenho um texto que eu curto, carecendo só de revisão.

Mas tem dia que eu sento na frente do computador e simplesmente não rola. Procuro referências, leio outras coisas, assisto, ouço podcasts, olho pro céu e nada.

Ontem foi um dia desses. Acordei de manhã e fui direto pro computador. Comecei vários textos. Mas nenhum tinha aquele borogodó sabe?

Parei a escrita e fui fazer outras coisas. Bike, almoço, mercado. De volta pra casa, fiz umas aulas de curso online e tentei mais uma vez. Dessa vez nem ideia saiu. Ficou só documento do word em branco.
Fiz um stories e deixei pra lá. Tem dia que não vai mesmo.
Desliguei o computador pensando na janta.
Desci a escada pensando de onde vem inspiração e aí, click.
Pronto! Era só falar que hoje não tinha inspiração pra texto rs

E por que falar isso?
Porque tem dia que a gente faz tudo do roteirinho, o dia passa, você acessa todas as suas referências e nada. Eu estava descansada, sem pressa mas nada desenvolvia. (Ironicamente, sentada no sofá vendo jornal a ideia veio e foi no bloco do celular mesmo).

Talvez minha mente goste mesmo é do furdunço, do dia agitado, cheio, que não dá tempo de respirar sem mil pensamentos disputando quem fica em primeiro plano. Aí, o caos vira terra fértil e as palavras brotam.

Pena que nem todo dia de furdunço eu consigo parar pra escrever. Nem que seja no bloco de notas. Tem dia que simplesmente passa e as ideias se dissolvem no travesseiro.

Agora me conta, como faz para a mente armazenar essas ideias brilhantes para as horas de calmaria?

Um dia na vida de uma mulher

6h30 – toca o despertador. Calcula rapidamente a quantidade de coisas que tem pra fazer e aperta o botão soneca.

6h45 – só mais 5 minutinhos.

7h – melhor levantar logo, já estou atrasada.

E a parti daí: corre fazer um exercício banho será que dá tempo de lavar o cabelo ai meu deus minha tapioca queimou vou comer assim mesmo ai vou lavar a louça rapidinho passar no correio e correr pro trabalho atende telefone faz reunião troca ideia almoça pensando que esqueceu de tirar o lixo corre finalizar a apresentação da reunião lembra que precisa comprar manteiga e papel higiênico vixi não falo com a minha mãe há dois dias ela vai me matar hoje sai do trabalho pensando que hoje finaliza aquele curso online e vai para o supermercado chega em casa higieniza as compras troca a roupa e já bota pra bater o que tá sujo vai pra cozinha e vê que esqueceu de descongelar o frango e pensa se vai no microondas ou se passa a semana a base de ovo desiste e pedi um ifood senta pra estudar o telefone toca e lembra que esqueceu que era aniversário da amiga que mora longe se ajeita pra fazer uma chamada com as amigas putamerda que saudade de um barzinho manda mensagem pro boy já passou das 23h trocam meia dúzia de mensagem

23h37 – deita na cama e organiza mentalmente o que precisa fazer no dia seguinte. Liga o despertador prometendo que vai levantar quando ele tocar.

Ufa!

Tem dia que é exatamente assim. Ainda inclui aí os freelas, os grupos de amigo pra dar atenção, a família… O dia passa e eu nem percebi, mesmo tendo feito um zilhão de coisas.

Sabe o que é mais louco? Toda mulher que eu converso tem a mesma sensação. Se tiver filhes na história, a sensação é ainda mais avassaladora e acompanhada de culpa. Culpa por não ter sido a melhor profissional, culpa por achar que a casa não tá bem limpa ou que podia ter se dedicado melhor na função de mãe.

No meio desse turbilhão de coisas, já me peguei pensando: onde é que eu, mulher, entro nessa história?

Porque nesse papo todo teve espaço pra: profissional, filha, amiga, dona de casa, mãe, tudo, menos pra gente.

É bem louco pensar que, por mais que eu ame tudinho que eu esteja fazendo, meus dias são preenchidos por essas atividades e pouco espaço pra mim. E mais uma vez, essa sensação é compartilhada por toda mulher que eu já falei sobre o assunto.

Minha sogra comentou que mesmo após a aposentadoria ela segue mantendo uma rotina cheia. Vejo pela minha mãe que a história se repete: uma mulher com mais de 60 anos com a rotina mega cheia e com pouco espaço pra ela. Sempre no papel de mãe, filha, esposa, dona de casa…

Em algum momento das nossas vidas, nós, mulheres, admitimos diversos papeis e vamos executando todos eles ao mesmo tempo. Com dias mais cheios de atividade do que horas. Com a sensação de estar sempre devendo algo para alguém. Nem que seja devendo algo para nós mesmas.

Na verdade, não sei se admitimos. A vida acontece. E aí o que frequentemente rola é que mulheres em relacionamentos heterossexuais são sobrecarregadas com todas as outras atividades da casa. E nem vem com o papo de nem todo homem porque os dados mostram:

 Mulheres dedicam mais que o dobro de horas semanais em cuidados com a casa (IBGE – 2018). Mais uma vez, se tem filhe em casa, a jornada aumenta: 28% das mães ficam totalmente responsáveis pelo banho dos filhos e pela alimentação. (claro que esses dados são referentes a casais que compartilham a casa).

Todo esse tempo dedicado à casa e família fica na nossa conta.

E a carreira?

Também entra aí.

No pacote de: dedicação total ao trabalho, constante atualização, atenção às novidades do mercado, aprender novas ferramentas e idiomas…

E corpo?

Tem que malhar, estar arrumada, maquiada, bonitinha né? Tá na hora do botox.

Tempo de lazer, leitura, esportes, hobbies….

Caramba, o checklist para ser mulher é longo!

E por que diabos eu parei no final do meu dia para falar disso?

Porque a gente precisa sim pensar em todos nossos papeis e, especialmente, se estamos a fim de desempenhá-los. E também aceitar que nem todo dia a gente vai ser 100% em tudo. (acho que quase nunca né? rs)

E tatu do bem.

Haja processo de autoconhecimento, análise, observação para entender tudo isso e pensar se pra você isso funciona. Sabe o que me ajuda?

Falar. Seja aqui, falando pelos dedos, ou falar mesmo. Conversar com outras mulheres. Conhecer outras experiências. Especialmente porque esse texto foi escrito por uma mulher, branca, cis, hetero, com nível superior. Sei que tenho vários privilégios.

E é na base do conhecer o outro que dá pra pensar, será que a gente precisa mesmo encarar essa jornada toda? Ou será que dá pra gente compartilhar mais e se cobrar menos?

Bora naturalizar que nem sempre o planejamento do dia vai ser bom, nem sempre vai render horrores, que às vezes vai ficar uma louça na pia. E tatu do bem.

Tatu do bem querer descansar também, viu? Se você se sentir à vontade, me conta aí o que você faz para diminuir o peso da nossa jornada

A loteria e a vida adulta

Tenho certeza que você já jogou na loteria. Já participou do bolão no trabalho, com a galera da faculdade e até com a família. Já gastou uns trocados que, se somados, dariam um trocadão depois de um tempo. Já pegou uma raspadinha, um ValeCap ou qualquer outra coisa que o valha.

Tenho certeza que você já se imaginou ganhando grandes quantias de 6, 7, 8, 10 digitos, fazendo planos, fazendo cálculos de quanto esse dinheiro renderia na poupança ou num investimento.

Tenho certeza porque eu já fiz tudinho que eu descrevi. E todos os adultos que eu conheço também já fizeram (bom, não conheço ninguém com mais 7 digitos na conta, acho, então não sei se “esse tipo” de gente também aposta na loteria). Mas todo mundo que eu conheço tem esperança que uma hora os números mágicos vão trazer a tão esperada tranquilidade financeira.

Sabe o que é engraçado? Quando eu era adolescente, até no início da vida adulta, achava uma bobeira jogar. Afinal, as probabilidades de ganhar na loteria são bem baixas. Por exemplo, se você jogar na MegaSena, a chance de ganhar é: 1 em 50.063.860, que corresponde a 0,000002% de chance de ganhar. É mais fácil um raio cair na sua cabeça do que ganhar na mega da virada.

Então, o que muda na vida adulta?

Quando a gente cresce – no meu caso, só em idade, tenho a mesma altura há uns 18 anos – é que percebemos que a vida é dura. Pelo menos a maioria de nós que teve o básico da sobrevivência garantido (casa, comida, família, educação).

É no dia a dia de um trabalho que, ainda que você goste, te obriga a ser produtivo nos dias e horas marcados, conviver com gente nem sempre bacana, fazer atividades que você não curte 100%. Ainda tem mais a obrigação de continuar estudando, ser magro, malhado, casar, ter filhos…

Aí aparece a loteria. Prometendo te dar uma grana que pessoas normais com empregos normais demorariam a vida toda pra juntar (eu sei, estou sendo otimista, me deixa rs). Fala se isso não é um sonho?

A loteria parece o conto de fadas da vida adulta, em que aparece um belo príncipe– neste caso, uma bolada de dinheiro – para te salvar e te fazer feliz pra sempre.

É, colega que está lendo esse texto, se você já sonhou que a loteria poderia salvar sua vida, sinto te dizer mas: VOCÊ É UM ADULTINHO!

Este texto foi pensado durante um episódio de Friends, meu seriado preferido da vida.

Vale assitir: Temporada 9, episódio 18.

Se você também quer rir, aqui tem uma lista com os episódios mais divertidos.

O que uma porta quebrada me ensinou…

Um dia desses, que estava frio e chovendo horrores, eu fiquei presa dentro do meu carro. LITERALMENTE.

A maçaneta interna quebrou. Ela não abria e não fechava. Pra completar, o vidro não estava descendo inteiro para que eu pudesse tentar abrir por fora. Tive que pular pro banco do carona e sair do carro.

Na chuva, no frio, eu dei umas 5 voltas no carro testando as portas e o alarme. E sempre a porta do motorista ficava completamente destrancada e desprotegida.

Bom, não havia o que ser feito. Cancelei a reunião que eu estava indo, entrei de novo no carro (pela porta do motorista, de fora pra dentro, tava tudo bem) e fiz o que qualquer adulto responsável faria: liguei pro meu pai.

Antes de acabar de discar, lembrei que estava frio, chovendo e meus pais estavam cuidando da minha vó. Não era uma boa preocupá-los por tão pouco. Lembrei também que tinha o celular do mecânico e liguei. De cara ele já me disse que não resolvia aquele tipo de problema e me indicou quem resolvesse.

Em 5 minutos cheguei no profissional. Em 10 minutos ele já tinha diagnosticado meu carro e me pedido pra deixer ele lá pro orçamento e tal. Sei que no final das contas, no final da tarde, tudo já tinha sido resolvido. Eu tinha arrumado o carro (graças a deusa não ficou caro) e feito a reunião que eu tinha desmarcado (era importante e eu tinha uma grande decisão a tomar depois dessa reunião – quem sabe eu conto outro dia).

E por que eu to te contando isso?

Porque no final do dia, cansada, o perrengue do carro foi apenas mais uma questão. E aí eu percebi: Cara, é assim que eu quero levar os perrengues da vida.

Pode parecer bobo, ou você me olhar e dizer: dane-se eu sempre lidei assim com meus problemas.

Mas eu não. Eu sou geminiana, meu amor. Meu sobrenome é DRAMA! Ainda que muito pé no chão, tinham pequenas coisas que me pegavam no contra pé e me deixavam meio bad. E tatu do bem, viu? É só mais uma característica sua.

O que mudou nessa situação? Eu só passei por ela, sem julgamentos. Só na frieza de resolver o que precisava ser resolvido. Levei pra vida uma característica que eu já tinha na vida profissional pra gestão de crise. E por aqui, meu amor, é assim: cada vitória é uma celebração!

Um viva às pequenas vitórias cotidianas e aos perrengues nossos de cada dia!